Linha tênue no Fluminense

Fred mandou mal ao pedir para não jogar. Há quem diga que ele pode deixar o Fluminense Arquivo/AE

Frederico Chaves Guedes, 27 anos de idade, foi visto com um amigo em um bar em Ipanema na última terça-feira. Era seu dia de folga. Na mesa, 60 caipisaquês, segundo as informações que estão na boca do povo. Após ter sido visto no local por pessoas que acreditam no seu trabalho como palhaço de circo, foi imediatamente repreendido e levado para casa. Dois dias depois, em mais um compromisso no qual sua presença era indispensável, Frederico disse que não tinha condições psicológicas para estar presente e pediu para os donos do picadeiro deixarem-no descansar, ao invés de cumprir o seu dever e fazer o show continuar. Esses, então, atenderam o seu pedido.
Em primeiro lugar, vamos deixar claro uma coisa: Não sou e nunca fui fã de certa modalidade do jornalismo em que uns e outros ficam cagando regra a respeito de onde, o quê e com quem o jogador faz quando está fora dos gramados.  Levando em conta a frase em negrito no primeiro parágrafo, reproduzo aqui um clichê que considero verdadeiro: se não estiver comprometendo o desempenho do jogador em campo, este pode protagonizar as esbórnias que quiser. Se para cada gol em campo houver uma dose de caipisaquê, que assim seja. Qualquer um está livre para fazer o que quiser do seu tempo livre, longe da patrulha. A única coisa pedida é bom senso e discrição: O primeiro para saber quando se pode ou não dar uma saída pela cidade; a segunda para evitar maiores repercussões, que os jogadores sabem muito bem que serão negativas(e os jornalistas também).

Mas…..jogador profissional dizer que se sente ameaçado e não se sente em “condições psicológicas” de jogo? Ainda mais depois de ter fugido dos torcedores no bar, segundo testemunhas? Repetindo, não tenho nada a ver com o que Fred faz na sua folga, e não sei talvez o que passa na sua vida desde então. Agora, me digam: você, se fosse jogador de futebol, teria como dar uma resposta melhor do que dentro de campo, marcando gols e ajudando sua equipe a conseguir vitórias?  O que Fred protagonizou com esse episódio é um lamentável desrespeito à instituição Fluminense e aos torcedores do clube. Não os papagaios de pirata e patrulheiros que existem em todos os clubes do Rio de Janeiro, mas os que pagam ingresso e tem seus ídolos. Fred é um deles, e poderia ter tido uma melhor assessoria nessa história toda, agido diferentemente.

Já há por aí boatos de que o jogador estaria querendo forçar uma saída do clube. Com apenas 6 jogos disputados na competição, ainda seria possível uma transferência dentro do futebol doméstico. Mesmo que não seja verdade, dá margem a interpretações duvidosas. Muitas vezes, estas últimas são piores que as mentiras.

Os jogadores e o técnico Abel Braga declararam, após a vitória, que correram em campo por Fred. É perceptível a liderança no grupo tricolor exercida pelo jogador, e não duvido que  seja uma liderança, na maior das vezes, positiva. Abel declarou sobre o assunto: ” Vamos preservar o nosso ídolo”. Sendo assim, o ídolo poderia ter tido uma atitude bem diferente. O exemplo usado no início do texto retratava Fred como um palhaço. Esse papel mudou de mãos após o episódio, e quem está com todo o aparato cômico, agora, é o torcedor e a diretoria do Fluminense, desrespeitados como foram por um de seus “ídolos”.

Há realmente uma linha muito tênue nessa história. Se encontra o direito de ir e vir do jogador e o respeito deste último para com a torcida e o clube. Houve erros, basicamente, de todas as partes: dos torcedores , que não tem a menor necessidade de patrulhar a vida de atletas fora de seus campos de atuação; da diretoria, em ter permitido que o jogador desfalcasse a equipe em uma partida tão importante; além, claro, do próprio Fred, que não pode ter tanto desprendimento quanto às suas responsabilidades no clube. Que aja de acordo com elas.

Até o próximo post, amigos.

Libertadores do futebol brasileiro

Santos de Neymar traz alguma luz aos que já previam a decadência do futebol brasileiro.

O título do Santos na Libertadores, conquistado após a vitória de ontem sobre o Peñarol, é o terceiro na história da competição sul-americana. Merece uma comemoração muito intensa, até porque o último elenco do Santos que conseguiu esse feito( e logo em um bicampeonato) foi o de Pelé, Dorval, Mengálvio, Pepe, Coutinho, Zito…aquele time que alguns dizem que não aguentaria o futebol de hoje.

No entanto, o título tem outros dois aspectos interessantes a ser discutidos aqui: um micro, relativo ao Santos Futebol Clube; e um Macro, referente ao futuro do futebol brasileiro.

Para a história do Santos, ficou claro de uma vez por todas: a geração atual de Paulo Henrique Ganso e Neymar já está acima, tecnicamente e em matéria de conquistas, em relação à geração de Robinho e Diego, a última a surgir na Baixada santista e encantar o Brasil por três anos seguidos, entre 2002 e 2004. Robinho e Diego, mesmo tendo tido excelentes performances no alvinegro praiano, não conseguiram ter uma regularidade em excelência em seus times na Europa. Robinho só conseguiu ter algum destaque em sua última temporada pelo Milan, no qual foi campeão italiano. Os erros de ambos podem servir para que Neymar e Ganso consigam vislumbrar o caminho mais correto para suas respectivas carreiras.

Aliás, um parênteses no texto para comparar as escalações do Santos de 2002 e de 2011.

Santos: Fábio Costa; Maurinho, André Luís, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). Técnico: Émerson Leão.(2002- Final do Brasileiro)

Santos: Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Muricy Ramalho

Fica a cargo dos leitores dizer: quem é melhor? E porque esse time de 2011 conseguiu a Libertadores que o time de Emerson Leão viu escapar em 2003, contra o Boca Juniors?

Neymar, aliás, merece um parágrafo à parte. Por mais que eu tivesse resistido a chamá-lo de craque durante algum tempo, por achar que ele não tinha muita maturidade para lidar com a responsabilidade de ser o “cara” que decide os jogos, não dá para falar algo diferente sobre o jogador hoje. Cracaço de bola. E que provou mais uma vez ser decisivo ontem, abrindo o placar de uma partida complicada, cascuda, enfim, uma final de Libertadores típica. Fatalmente será um dos melhores do mundo se continuar nesse ritmo. O Santos PRECISA mantê-lo se quiser chegar ao Japão com chances de enfrentar e, quem sabe, derrotar o time do Barcelona.

Analisando em um macrocosmo, esse título do Santos comandado por Ganso e Neymar revela, pelo menos no quadro atual, o erro cometido pela revista 4-4-2 em dizer que o futebol brasileiro está morto(leia aqui). Mas há exceções, como os dois supracitados. Lucas, do São Paulo, também promete um futebol muito além da média.

Esse título da Libertadores mostra que o futebol brasileiro, mesmo vivendo uma entressafra de grandes talentos, ainda é capaz de produzir craques e, principalmente, formar times vitoriosos.

Ninguém sabe qual será o futuro dessa Copa, ao menos dentro de campo, uma vez que fora dele a bagunça é institucionalizada e pouco é feito para que isso mude. Mano Menezes deverá ter muita sabedoria para aproveitar o melhor dos talentos que possam surgir durante esse período pré-2014 e, quem sabe, montar um time capaz de vencer a Copa do Mundo em sua própria casa, mesmo com toda a pressão envolvida com essa responsabilidade.

Parreira, Mano e Zagallo falam em “reeducação”….

O seminário sobre a Copa do Mundo de 2014, realizado na última segunda-feira no hotel Windsor Atlântica, teve a presença de Carlos Alberto Parreira, Mário Jorge Lobo Zagallo e Mano Menezes. Os dois primeiros já tem uma identificação muito grande com a Seleção(ambos foram campeões mundiais), enquanto Mano, atual treinador do Brasil, terá a difícil missão de  estar à frente da equipe durante a competição mais importante do futebol. Copa esta que será disputada aqui, em uma nova chance para a Seleção de vencer a competição em sua própria casa. As paixões estarão mais afloradas, mas as cobranças também. E Mano Menezes sabe disso.

Desde a década de 40, na qual o futebol começou efetivamente a se tornar um elemento de integração nacional(ver Helal, Soares e Lovisolo (2001)), o período da Copa do Mundo é um período especial na vida brasileira. É o momento em que o sentimento de aglutinação do povo em torno de um ideal( no caso, futebolístico) é  absolutamente evidente. E chamou a atenção, durante o evento, o fato de que os três técnicos( a mesa ainda tinha o jornalista João Máximo) falarem sobre uma tal “reeducação” para que se apóie a Seleção. Essa reeducação, por sua vez, envolve torcida e imprensa.

É necessário perguntar: o que estaria presente nesse processo de reeducação? Mano Menezes usou seguidas vezes a frase: “ Ressaltar também os pontos positivos da realização da Copa.” Ora, é lógico que não se pode pintar uma caveira de tudo. Mas não queiram construir uma situação de tranquilidade na organização da Copa que absolutamente não existe. Obras atrasadas( Mineirão, Castelão), superfaturamento( O Maracanã é o maior exemplo), favorecimento a dirigentes( Andrés Sanches, com fortes ligações com o Governo, conseguiu recursos para o Itaquerão, futuro estádio do Corinthians e que já foi cogitado como local de abertura da Copa), além de diversos problemas sociais envolvidos na realização de uma competição de tal porte(http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/26/onu-critica-brasil-por-desapropriacoes-para-copa-olimpiada-924321676.asp).

Zagallo disse que o Brasil tem de vencer em 2014, “ Custe o que custar”. Parreira, ao ser perguntado pelo jornalista Antônio Nascimento como a imprensa poderia fazer esse apoio ao Brasil sem perder o senso crítico, falou sobre a necessidade de novos debates e a importância do tema. Responder objetivamente à pergunta, aí é outra história.

Percebia-se latentemente que a seleção das perguntas era feita de modo a não causar muito desconforto, aos entrevistados e, em uma esfera mais ampla, à própria CBF, que não tolera críticas ao seu presidente, Ricardo Teixeira, assim como à organização da Copa do Mundo no Brasil. Tanto que Teixeira tenta barrar de qualquer jeito a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) sobre a Copa 2014.

Outros assuntos também foram trazidos à baila durante as duas horas de evento: o aproveitamento de Neymar e Ganso na Copa América, os jogadores de hoje que podem fazer a diferença na Copa daqui a três anos, a influência dos times campeões no futebol jogado no mundo inteiro no período entrecopas….  Mas a tal da “ reeducação de torcida e imprensa” não saiu da minha cabeça até agora. E não deve sair até 2014.

Mística do Fla-Flu e uma rápida pergunta.

Flamengo e Fluminense farão amanhã o clássico pelas semifinais da Taça Guanabara, às 16h, no Engenhão. E antes que achem que vou ficar em cima do muro, digo logo a vocês: Pelo que aconteceu durante a semana, o meu prognóstico é que o Fluminense passe. Mas o Fla-Flu às vezes desmente drasticamente essa lógica. Exemplos desse fato na história do clássico não faltam.

O primeiro clássico entre os dois, com a expectativa do então recém-criado Flamengo, com os melhores jogadores do Flu campeão do ano anterior, vencer o ogo. E quem levou a melhor foi o Tricolor, por 3 a 2. Ou mais recentemente, o Fluminense vencendo 3 jogos do Flamengo no campeonato carioca de 1995, inclusive na decisão com o gol de Renato Gaúcho?

Pelo lado rubro-negro, quem não lembra de 2004,quando o Flamengo venceu o Flu(dito como superior) duas vezes, primeiro por 4 a 3 após estar perdendo por 3 a 1 e depois por 3 a 2, sagrando-se campeão da Taça Guanabara e consagrando o lateral-esquerdo Roger, hoje na seleção da Polônia? Ou jogos como a Taça Nelson Rodrigues, em 1976, em partida com direito a 4 gols de Zico e um insofismável 4 a 1 para cima da chamada Máquina Tricolor?

Por isso, não se surpreendam caso o Flamengo de Luxemburgo passe por cima das dificuldades,como a lesão de Maldonado e a péssima fase de Ronaldinho Gaúcho, que se cansou de perder gols nos últimos jogos. Que consiga jogar com as suas principais armas( Léo Moura, Thiago Neves, Renato) e chegar à final da Taça Rio. Afinal de contas, é muito melhor para o time que vença logo o segundo turno para se consagrar campeão. Se Luxemburgo não resolver inventar na escalação ou nas substituições e o time titular entrar focado, nada impede que o Flamengo vença a partida.

Pelo lado tricolor, a classificação quase inacreditável na Libertadores deu muita moral a esse time, que deve entrar disposto a provar que o título estadual é uma possibilidade que não foi deixada de lado. Se entrar com um espírito semelhante ao de quarta-feira, a possibilidade de vitória fica bem mais evidente para o Tricolor.

A promessa, meus caros, é de um jogão. O Fla-Flu decisivo tem uma carga especial de emoção, e é nesses jogos que a contradição costuma se insinuar nas tênues linhas que separam o  óbvio ululante do absoluto inesperado.

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Uma pergunta rápida: Você gostaria de ter no seu time  um jogador( supostamente profissional) que canta uma música de um time rival( no qual ele inclusive já jogou)  na iminência do jogo mais importante do ano até então? Eu, pelo menos, não gostaria.

Até a próxima.

Memória do Rádio: Edson Mauro fala sobre Doalcei Bueno de Camargo

Após muito tempo, volto a postar aqui as sonoras elaboradas para o trabalho de conclusão de curso, feito por este que vos fala, sobre Doalcei Bueno de Camargo, ou Dodô.

Na sonora de hoje, quem dá seu parecer sobre Doalcei é o narrador Edson Mauro, do sistema Globo de Rádio há muitos anos e que trabalhou com Dodô também na Tupi. Ouçam aqui embaixo:

Sonora

 

Saudações e até a próxima edição de Memória do Rádio!

 

Análise prévia(ou uma tentativa) da final da Taça Guanabara

Flamengo e Boavista se enfrentam no próximo domingo às 16h no Engenhão para decidir quem leva a Taça Guanabara de 2011. Enquanto o primeiro quer reconquistar o título após 3 anos e garantir uma vaga na final, o Boavista  quer alcançar a primeira conquista oficial no futebol carioca. Apesar de ser um grande contra um chamado “pequeno”, a promessa é de um jogo equilibrado e repleto de alternativas.

 

Felipe foi decisivo na classificação do Flamengo às finais da Taça Guanabara. Foto de Alexandre Loureiro/Vipcomm

Pelo lado rubro-negro, espera-se que o favoritismo seja confirmado no próximo jogo. Embora ainda tenha algumas falhas a corrigir, principalmente na defesa e no ataque, a equipe jogou melhor do que nas úiltimas partidas. Ronaldinho teve boa participação em diversos lances e quase fez um golaço, impedido pelas pontas dos dedos de Jefferson. Negueba, quando entrou, bagunçou a defesa do Botafogo e pode ser uma boa opção para mudar o jogo. Léo Moura ofensivamente também foi importantíssimo e mostra o porquê está no Flamengo há quase seis anos como titular absoluto da lateral-direita.

Mas a cobertura do lado esquerdo da defesa falhava o tempo todo, além dos zagueiros darem vaciladas absurdas, tal qual no lance do gol de Loco Abreu. Tiago Neves cansou com a correria do jogo, e Renato mais uma vez não foi bem. A proteção à zaga é deficiente em alguns momentos, já que Willians não consegue fazer todo o trabalho sozinho.Maldonado faz muita falta ao setor, e poderia ser uma boa escalar, por exemplo, o menino Muralha, que tanto encantou a torcida na conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior. No ataque, Deivid está muito mal, e a solução imediata é a entrada de Diego Maurício. Quem sabe com o adiantamento da posição de Ronaldinho, mas isso vai depender do Professor Luxemburgo.

 

Boavista surpreendeu a todos com um time muito bem treinado. Foto de Ricardo Ramos/Lancepress

Pelo Boavista, já há alguns jogadores em que se deve prestar atenção, como o lateral-esquerdo Paulo Rodrigues, o volante Edu Pina…isso sem contar o próprio goleiro Thiago, que defendeu os pênaltis de Conca e Rodriguinho na semifinal contra o Fluminense. Mas é no setor ofensivo que a equipe se destaca. O meia Leandro Chaves e os atacantes Tony, André Luiz e Frontini são, sem dúvidas, os maiores destaques dessa equipe do Boavista. A equipe fez mais gols inclusive do que o Flamengo até aqui: 17 no total, contra 15 do rubro-negro, segundo a matéria de Luiz Guilherme Freitas no seguinte link: http://www.lancenet.com.br/minuto/Ataque-segredo-sucesso-Boavista_0_431357077.html

Os zagueiros e os volantes do Flamengo precisam muito ficar de olho nesses quatro se não quiserem complicações na próxima partida. David marcando Frontini e Angelim marcando Tony seria a melhor opção, e Wellington pode fazer marcação cerrada também sobre André Luiz.

No jogo pelo grupo A, o Fla venceu o Boavista por 3 a 2. Após um primeiro tempo muito bom,  com direito ao primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho, o Flamengo iniciou o segundo ampliando com Deivid. Mas duas vaciladas levaram o Boavista ao empate e a uma violenta pressão pra cima do time de Luxemburgo. Eis que, aos 39 do segundo tempo, Willians ganha jogada na raça e cruza para Negueba marcar o gol da vitória. E no domingo, o que será que aguarda os torcedores das duas equipes?
Esperemos para ver.