” Bandas brasileiras deveriam fazer, em maior ou menor grau, o que o Huaska está fazendo” Adair Daufembach, produtor

Saudações, amigos blogonautas.
Após meses, estou de volta.

Recentemente, no Jornal do Brasil, escrevi uma matéria sobre a participação da banda Huaska em um dos sambas-enredo concorrentes na Mocidade Independente de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Conversei com Rafael Moromizato, vocalista da banda, além de Elza Soares e Eumir Deodato. A matéria foi publicada nesta sexta-feira à noite

Faltou, porém, um depoimento importante, por questões editoriais: Adair Daufembach, produtor da banda e uma das maiores figuras que a música brasileira possui hoje. E agora, com exclusividade, disponibilizo a entrevista com o produtor de Huaska, Ponto Nulo No Céu, Project 46, Trayce, John Wayne, Hangar, entre outras. Leia exclusivamente a segui e até o próximo post:

1) Como um produtor acostumado a desafios, o que você pensou quando ouviu o som do Huaska pela primeira vez? Foi algo do tipo ” Quero produzir isso de qualquer jeito?”
Sim com certeza! Eu adoro elementos brasileiros inseridos no meio do peso das guitarras, tanto que quando ouvi o Huaska pela primeira vez eu falei: “sim é disso que eu estou falando!!!”(rs). Acho que esse encontro entre eu e a banda era meio inevitável, pois eu lembro que eu recebi um email de um amigo meu com o clipe do Huaska e ele (sabendo como é a minha filosofia de produção) escreveu no mesmo: “cara essa banda é a sua cara, você tinha que trabalhar com eles”. Duas ou 3 semanas depois, por intermédio da Ponto Nulo no Céu, o Rafael me ligou.
Eu acredito que todas as bandas de rock/metal brasileiras deveriam, de alguma forma, fazer o que o Huaska faz em maior grau que é transparecer que são daqui, não tem sentido uma banda brasileira querer tocar um estilo musical que foi inventado fora daqui (Europa/EUA) exatamente igual a como as bandas de estrageiras fazem. Não é por nada que as bandas de maior repercurssão internacional brasileiras foram o Sepultura e o Angra, pois na primeira ouvida as pessoas sabiam que era uma banda brazuca.
2) Eumir Deodato elencou você como parte fundamental do sucesso do Huaska até agora, principalmente pela bela produção do disco Samba de Preto. Comente esta declaração e a possibilidade de trabalhar com o Eumir.
Cara, fico mais do que honrado em ouvir uma declaração dessas, é emocionante, pois o Eumir é parte fundamental de uma das fatias mais importantes da história da música brasileira, ter trabalhado com ele foi uma escola, é impressionante como uma pessoa com um currículo tão invejável possa ser tão tranquila e tão humilde, era muito engraçado, pois eu e os caras da banda estavamos pilhadíssimos com a produção do disco e os dias de gravação mais tranquilos foram os com o Eumir, sendo que as cordas eram “teoricamente”a parte mais complicada de se gravar. No dia da gravação das cordas várias pessoas que estavam no estúdio choraram, o cara é um gênio da música mundial.
3) No vídeo sobre a produção do disco, você comenta sobre as influências tão díspares dos caras do Huaska. Como você reagiu a isso tudo na produção do disco?
Era uma sensação boa por estarmos fazendo algo que eu acredito ser inédito, algo muito raro hoje, mas ao mesmo tempo desesperador(rs)! Porque nesse trabalho literalmente tinha momentos em que eu não fazia a menor idéia de como encaixar as coisas, principalmente o violão em cima das guitarras. Guitarras em geral na mixagem são um monstro que engolem tudo e violão um instrumento super delicado, tipo… o que fazer? (rs). Para melhorar tudo, no disco o que mais tem são parte em que os dois instrumentos estão “bombando” na frente de tudo. Foi tenso mas muito recompensador.
4) Se o samba dos caras do Huaska ganhar a disputa na mocidade, você irá à Sapucaí? Qual será a sua fantasia? hehehehe
Cara, já combinei com a minha esposa que nós iremos com certeza! Porém, Confesso que não pensei ainda numa fantasia… sei lá de repente eu até tente desfilar pela escola!! kakakakakkak
5) Você se imaginava tão dentro da bossa nova e do samba na produção de um disco de heavy metal? Você mesmo passou a ouvir esses estilos depois da produção do Samba de Preto?
Cara agora nos ultimos 4 anos eu tenho me aproximado muito de música brasileira, passei a gostar de verdade e inserir vários sons nos meus playlists, mas os caras do Huaska realmente conhecem muito de música brasileira, o contato com eles me fez aprender muito, conforme eu falei no documentário sobre a gravação, tinha uma situação que era bizarra, nós estavamos na sala gravando e falando sobre, por exemplo, o Korn, Deftones e o Linkin Park, de repente eu ia ao banheiro e quando voltava estavam todos na sala discutindo sobre Tom Jobim, João Gilberto, Elza Soares e por aí vai… isso era realmente estranho, ou melhor, isso era “Huaska” !! hehehehehee…

Review de cd: Europe- Last Look at Eden(2010)

Olá a todos e perdão por demorar tanto para voltar a escrever neste endereço. Hoje, o review de cd é de uma banda que chega a ser ridicularizada por muitos fãs de rock, devido principalmente ao hit absoluto The Final Countdown( que eu considero uma boa música, apesar de superexecutada) e a baladas xaroposas como Carrie( que eu considero realmente insuportável). Bom, desde 2004 os caras vem lançando bons trabalhos, a nomear:  Start From The Dark(2004) e The Secret Society(2006).  Registros que deixaram claro o amadurecimento do grupo em seu Hard Rock. O que nos leva a este Last Look At Eden, um dos melhores trabalhos desta que é uma das bandas de Hard Rock e AOR(Adult Oriented Rock) mais influentes da história da musica. E eles mostram bem a que vieram.

O trabalho começa com um prelúdio que funciona como introdução para a faixa-título, apoteótica, épica, bem tocada e com belas performances individuais de John Norum, guitarrista desde os primórdios, e do tecladista Mic Michaeli. A atuação de Joey Tempest também é muito boa, pois a maturidade acaba compensando o fato de ele não conseguir atingir mais tons tão altos. A musica inclusive foi escolhida para ser o primeiro clipe deste trabalho. A próxima faixa, Gonna Get Ready, tem uma influência muito forte de blues e do hard rock setentista, principalmente nos riffs da guitarra de Norum. Uma bela faixa, simples, mas muito bem executada.

Catch That Plane tem as mesmas influências da faixa anterior, com um toque bem Whitesnake nos arranjos de teclado e guitarra. A letra do refrão diz tudo: ” Catch that plane and get your ass, Your pretty ass over here”. A próxima faixa, New Love in Town, é a primeira balada do disco, e um dos seus melhores momentos. Joey Tempest  mostra que não precisa alcançar tons estratosféricos para passar a emoção de uma musica como essa, que fala do nascimento da filha do vocalista.

The Beast segue o disco com seus 3 minutos e 24 segundos de puro peso, em uma das melhores musicas do disco. Não há nada a dizer sobre esta faixa a não ser que ela mostra bem do que o Europe é capaz de fazer em matéria de peso no Hard Rock. Esse é um dos bons sintomas do Hard rock atual: Com o nivel de produção que existe hoje, é mais fácil conciliar peso e melodia. Mas isso, meus amigos, só consegue aproveitar ao máximo quem tem talento para fazê-lo. Mojito Girl dá mais uma vez a impressão de ouvirmos um belo hard rock dos anos 70, com direito a uma paradinha para uma parte mais calma e um belo solo de John Norum, que deixa claro neste disco porque é tão respeitado.

A faixa No Stones Unturned tem um dos mais belos arranjos do disco, com toques de musica árabe muito interessantes e uma linha melódica que emociona. Isso sem abdicar do peso. Destaque para o belo solo de teclado de Mic Michaeli no meio da musica. Only Young Twice possui belos riffs e é uma amostra de um hard rock muito bem feito. U Devil U é a faixa menos memorável do disco, mas ainda assim tem bons momentos. Run With The Angels tem um começo forte com o baixo de John Levén, e segue com uma das melhores performances de Tempest, que parece ter encontrado a sua maturidade vocal.

Alguns dizem que o melhor sempre fica por último. No caso deste registro, é a pura verdade. A faixa In My time é uma das mais belas que tive o prazer de escutar nos ultimos tempos, devido à sua emoção genuína: a musica foi feita por Norum, em homenagem à sua esposa Michelle, que morreu de câncer em maio de 2008. Uma balada bem construída e com belas performances, mas o destaque absoluto é o solo de Norum, que é uma mistura bem executada de técnica, beleza e simplicidade que tornam esta faixa a melhor do disco, fechando-o com chave de ouro.

Portanto, aos amigos: se você realmente acha que o trabalho do Europe se resume a The Final Countdown, sugiro que ouça este disco. Quem gosta de Hard Rock não irá se arrepender.

Europe - Last Look At Eden(2010)

 

Review de cd: The Isley Brothers- 3 plus 3

The Isley Brothers- 3 Plus 3(1973)

Saudações aos leitores.

Volto a fazer resenhas de cd, mas antes façamos um  breve resumo a respeito da carreira dos irmãos mais criativos e longevos do R&B,Rock, Funk e Soul dos Estados Unidos. Começaram a carreira em 1954, e são responsáveis por uma das músicas mais conhecidas do rock em todos os tempos, Twist and Shout, além de terem colocado pelo menos um hit na parada da Billboard nas décadas de 50, 60, 70,80, 90 e 2000. Um caso raro na música pop mundial.

Era originalmente um grupo com 4 integrantes, a saber: O’Kelly Isley Jr., Rudolph Isley, Ronald Isley e Vernon Isley. Em 1973, o grupo passou a ser um sexteto, com a saída de Vernon e as entradas dos irmãos mais novos Ernie e Marvin, além do cunhado Chris Jasper. E lançaram esse disco sensacional, chamado propriamente de 3 Plus 3.

A primeira música, That Lady, já mostra que os caras estavam com a criatividade afiadíssima: A guitarra suingada, simples e eficiente de Ernie(que também toca bateria, e muito bem por sinal), os teclados e sintetizadores de Chris Jasper que dão um toque especial ao som dos irmãos Isley, além de Ronald em sua melhor forma. Um dos maiores sucessos deste álbum e digna de ser ouvida muitas e muitas vezes.

A segunda faixa é um cover de um dos maiores sucessos de James Taylor, Don’t Let Me Be Lonely Tonight. A banda faz muito bem a sua parte, mas o destaque absoluto é Ronald, que dá um show de interpretação ao pedir à sua amada que não o deixe sozinho durante a noite. Na próxima, If You Were There, o belo trabalho harmônico entre guitarra, baixo e teclados é o ponto alto de uma bela canção que pode não ter feito tanto sucesso, mas é prova irrefutável da qualidade deste trabalho.

You Walk your Way tem uma dinâmica que junta perfeitamente traços da música gospel do início da carreira do grupo com o melhor do Soul que rolava na época nos Eua. É impressionante a qualidade vocal apresentada pelo grupo neste trabalho, em mais uma música que fala de amor, esta pelo viés da separação. Listen To The Music, cover de uma canção de outros Brothers, os Doobie, ganha uma roupagem totalmente R&B, prestando uma homenagem sem deixar de ter a cara dos Isley Brothers.

What It Comes Down To é uma das mais alto astral do trabalho e dá novamente mostras da qualidade em todos os instrumentos. Aqui os teclados aparecem com destaque, assim como o trabalho de bateria muito bem feito. Sunshine(Go Away Today) é um pequeno clássico Funk de uma música do artista folk Jonathan Edwards, em que o baixo e o órgão dão o tom da música, além dos vocais malandros de Ronald e os teclados estridentes que se tornaram a identidade dos Isley Brothers na década de 70. Essa canção mostra bem o que seria o disco seguinte dos caras, Live IT UP,  lançado em 1974.

Summer Breeze, do Seals & Crofts, é a oitava e maior faixa do disco. Começa com os teclados marcados, depois entra a voz de Ronald, em seguida a bela melodia da guitarra de Ernie…. Quando você se dá conta, já está cantando junto. Essa é uma qualidade inestimável na música, e esta canção é uma prova inconteste disso. Talvez o momento mais sublime do disco. A essa altura, o ouvinte já está sorrindo de orelha a orelha. Highways Of My Life, uma balada tocante com belas performances de piano, vocal e bateria, fecha o disco com chave de ouro e de forma absolutamente marcante. Fãs de R&B, Soul, Rock, Funk e boa música em geral, façam um favor a vocês e ouçam esse registro. Não irão se arrepender, eu lhes garanto.

Abraços e até o próximo post.

 

Review de CD: Hydria- Poison Paradise

 

Hydria- Poison Paradise

Eles estão de volta. Após o lançamento de Mirror Of Tears em 2008, o Hydria reaparece com um novo lançamento em cd. Se o primeiro disco já foi de um padrão excelente para um debut e mostrou a cara desse grupo aqui do Rio de Janeiro, dessa vez não há nada a dizer além de uma simples frase: Qualidade não falta nos caras.

Ao ouvir sobre as saídas da guitarrista Luana e do excelente baterista Fabiano(ex-Allegro), ambos membros da formação que criou o primeiro disco, me perguntei como a banda reagiria a esse novo momento e o que poderia advir dessa lacuna de tempo entre um disco e outro. E lógico que eu esperava evolução, mas sinceramente me surpreendi com o resultado final, e minhas expectativas foram felizmente superadas.

O trabalho já começa com a nada leve Time Of My Life, que surpreende quem poderia esperar por uma introdução orquestrada ou algo do tipo. As guitarras estão mais pesadas, o baixo bem presente, as orquestrações e teclados tocados com muito bom gosto….e a voz de Raquel Schuller continua em forma, se revelando ainda melhor do que no primeiro disco da banda. O contraste entre o instrumental pesado e a doçura de uma voz feminina( com a presença dos guturais do guitarrista Marcelo, aliás) é algo que chama muito a atenção do fã de metal,e para quem gosta o Hydria é um prato cheio. Influências de Nightwish, Within Temptation, The Gathering e Epica aparecem a todo tempo.

A segunda canção, The Place Where You Belong, tem um início bem pesado, com direito a bumbo duplo(as linhas de bateria estão muito bem feitas por sinal), uma dupla de guitarras que me trouxe algo de Therion à primeira audição, mas que logo algo mudam para um clima bem mais gótico, como sugerem as influências da banda, que aliás não são só essas. Nessa música especificamente, se destaca Raquel novamente, com uma harmonia vocal na ponte e no refrão que fica na cabeça por muito tempo, além da quebradeira na segunda parte da canção. Whisper também é uma excelente canção, com boa performance de todos os músicos. O destaque indiscutível é o trabalho das guitarras, com linhas que grudam mesmo à primeira audição.

When You Call My Name é uma bela balada que dá uma quebrada no ritmo dando prosseguimento à qualidade. Como em quase toda balada, o trabalho vocal de Raquel se destaca.  Os teclados e o piano tocados por Márcio Klimberg dão a dramaticidade necessária à letra. Mas até aqui acharam um jeito de colocar bastante peso, com direito a palhetadas bem agressivas e até um breakdown típico do Metalcore. Tudo com muita qualidade. Finally, a música seguinte, é uma das melhores do disco, com um refrão inesquecível. Com esta eu já estava familiarizado, uma vez que ela foi liberada antes do lançamento oficial.  Teclados e orquestrações excelentes, guitarras idem, o baixo dando gosto de ouvir, além de Raquel mandando bem mais uma vez. Uma das que eu mais gostaria de ver ao vivo.

Prelude, com uma vibração mais calma e uma melodia simples mas eficiente, funciona bem como uma introdução para Distant Melody, ela própria com menos de três minutos, mas ainda assim muito boa, com destaque para as orquestrações. The Sword também já havia sido liberada anteriormente, e fica numa zona meio confusa que parece lembrar o disco anterior e evocar perfeitamente o espírito deste novo trabalho, o que não deixa a música ruim. Muito pelo contrário, aliás. As melodias e os tons lembrando a musica árabe em certos momentos deixam a audição bastante agradável.

Queen Of Rain é uma música bem melodiosa, e é um dos bons destaques do disco também. A maturidade dos arranjos é algo de impressionar, não só nesta música como no trabalho em geral, com todos os instrumentos perfeitamente audíveis e uma produção caprichada. Sweet Dead Innocence volta a deixar as coisas mais pesadas, com destaque para o baixo de Turu Henrick, que em conjunto com os teclados e as guitarras deixa a música mais Heavy, em mais um ótimo momento do disco.

A faixa-título dá aquela sensação de Dejá-vu com relação às músicas anteriores. Ou seja, em um trabalho de destaque como esse, é garantia de outra excelente faixa. Destaque para os vocais de Raquel no refrão e os guturais de Marcelo, que melhoraram com relação ao disco anterior. In The Edge Of Sanity, feita para a websérie “2012 Onda Zero”(para a qual a banda fez toda a trilha sonora), tem uma vibração diferente do resto, mas mesmo assim se destaca pelas guitarras mais diretas e o belo arranjo. The Only One termina o trabalho com uma sonoridade bem melancólica, e sem deixar a qualidade cair em nenhum momento. Prova incontestável do talento dos envolvidos nesse registro.

Depois deste trabalho, que está sendo lançado com pompa e circunstância no Japão, é bom que a banda continue trabalhando sério como vem fazendo nesses últimos anos.Só não dou nota 10 para esse disco porque estou realmente curioso pelo que vem pela frente. Afinal de contas, a expectativa pelo terceiro disco, que muitas vezes define carreiras, já começa a partir de agora com este excelente cd.

Review de CD: Oficina G3- Depois da Guerra

Oficina G3 - Depois da Guerra

Olá, caros leitores. Volto a fazer reviews de cd após um longo tempo, e recomeço esta nobre e prazerosa com este registro, uma das maiores surpresas musicais que tive recentemente. Estou falando do Oficina G3.

Já havia ouvido o trabalho dos caras, com o antigo vocalista PG e mesmo com o Juninho Afram(Guitarrista) nos vocais. Confesso ter achado legalzinho, mas nada revolucionário. As letras de pregação também não me cativavam muito(para quem não sabe, o Oficina é um grupo de rock gospel), então nada indicava que trabalhos posteriores poderiam chamar minha atenção.

Eis que tomo conhecimento deste cd lançado em 2008(review com 3 anos de atraso é brincadeira, podem falar).  Decidi, então, dar uma chance a Afram e seus coleguinhas. Surpresa total, porque os caras conseguiram criar um trabalho que praticamente rompeu as barreiras entre o rock gospel e o rock secular, fazendo de DDG uma quase unanimidade por todos que o ouviram.

A introdução D.A.G, com a ambientação de uma guerra aliada a orquestrações, teclados e  uma rifferama que marca o início do primeiro arrasa-quarteirão deste registro, Meus Próprios Meios. De cara, duas coisas chamam a atenção: a atuação do vocalista Mauro Henrique, com muito drive e uma interpretação irretocável que realmente me impressionou à primeira ouvida; e o peso e agressividade do som dos caras, que se justifica por ser a música de abertura do disco, e aliás uma das melhores.

Eu Sou, a música seguinte, também deixa o ouvinte batendo cabeça com as guitarras agressivas, a forte presença dos teclados e a sonoridade mais progressiva em vários momentos, chegando a lembrar muito o DreamTheater mais recente, principalmente do Train Of Thought para frente. O refrão irretocável e cheio de melodia é um dos grandes destaques em uma música repleta deles. Para mim, a melhor do disco e uma das marcas desse novo Oficina.

Meus Passos segue o disco em mais uma música que mescla muito bem os tempos quebrados e incursões de teclados do progressivo com o puro heavy metal. Continuar, a primeira balada do disco, dá uma acalmada nos ânimos e mostra que os caras também sabem diminuir o ritmo. A voz de Mauro Henrique se destaca nessa daqui, além das boas camadas de teclado e piano que dão uma emoção extra à canção.

De Joelhos, talvez uma canções de maior louvor do trabalho, mostra a face mais agressiva das guitarras de Afram, com linhas que reforçam o peso desse novo caminho trilhado pela banda. E não é que os teclados também contribuem para que isso aconteça? Mais um ponto para os caras. Tua Mão, mais uma balada, é também mais um bom momento, embora inferior a todas as músicas anteriores do disco.

Muros volta à carga em uma música absolutamente espetacular. Riffs poderosos, teclados viajantes e funcionais, um baixo que aparece com destaque, e Mauro Henrique outra vez mostrando porque era realmente uma das melhores opções para ser o vocalista da banda gospel mais conhecida do Brasil. Logo depois vem a faixa-título do álbum, que começa com Juninho cantando a primeira parte, sendo seguido por Mauro, que arrebenta em um dos melhores refrões do trabalho.

A Ele e Incondicional são duas baladas de puro louvor. Principalmente essa última tem bons momentos, tanto que foi escolhida para virar clipe. Parece redundância, e é, mas realmente o vocalista se destaca nessas duas canções, levando a quem acredita pensar estar em verdadeira comunhão com Deus através da música.

Obediência volta a deixar as coisas mais agitadas, em uma letra que deixa mais do que claras a visão religiosa de todos os integrantes.  O trabalho de vozes é uma das melhores surpresas, não só desta música mas do álbum como um todo. Better é como se fosse uma junção entre DreamTheater e Stryper: Um som progressivo, pesado, mas marcante e que leve a dita “Palavra” ao maior número de pessoas possível. People Get Ready, cover de musica de Curtis Mayfield e que ficou famosa na voz de Rod Stewart em companhia de Jeff Beck na guitarra, é uma surpresa agradável, apesar de não fazer muitas mudanças em relação à versão original. Unconditional, a versão em inglês de Incondicional, termina o álbum, visando claramente o mercado internacional.

Enfim, meus amigos: Aos que acreditam, um excelente trabalho musical de uma banda que marca uma nova fase em sua carreira e que, de quebra, leva a palavra de Deus alhures. Aos que não creem, um excelente trabalho musical de uma banda que marca uma nova fase em sua carreira. Ouçam e digam o que acharam.

Um abraço.

Metallica confirmado no Rock in Rio 2011: Sugestões(talvez inúteis) para o senhor Roberto Medina

James Hetfield e companhia virão tocar no Rio de Janeiro após quase 12 anos.

Antes de mais nada, como um fã do Metallica, fiquei muito feliz quando soube que o quarteto de Thrash Metal de São Francisco havia confirmado um show em um dos maiores festivais do mundo que, após 10 anos, volta à cidade que dá nome ao festival. Assitir o Metallica ao vivo, ainda mais agora que os caras voltaram a fazer shows excelentes com set lists matadoras(como nos shows no Brasil em 2010), é algo imprescindível para os que tiverem a oportunidade.

Porém, uma coisa me veio à cabeça quando o show foi confirmado para o dia 25 de setembro de 2011: Quais serão os outros grupos que tocarão no mesmo dia que Lars, James, Kirk e Robert? Procurei rapidamente e, ao que tudo indica, Angra e Sepultura, duas das maiores bandas que o Brasil já teve como representantes do Heavy Metal, estarão também no palco. Mas além destas bandas, ambas amadas por alguns e detestadas por outros, o que mais pode-se esperar do chamado “dia do metal” do Rock in Rio?

Talvez seja pedir muito para o senhor Roberto Medina uma certa ousadia na hora de chamar as bandas para completar o cast do Festival, não apenas no palco principal, mas também nas tendas menores. Por exemplo, Torture Squad, Krisiun, Violator, Hibria, os lendários caras do Korzus, Tuatha de Dannan….todos eles poderiam facilmente estar no dia dedicado ao som mais pesado, fosse no palco principal ou nos menores, e isso porque eu estou citando apenas algumas bandas mais famosas dentro do cenário brasileiro, pois há também outros exemplos de qualidade indiscutível por aí hoje em dia, tentando um lugar ao sol. Uma boa sugestão seria também colocar bandas locais de Metal nas tendas menores, de todos os estilos. Hydria, Ágona, Dark Tower, entre outras, seriam a pedida perfeita.

Com relação a mais uma ou duas bandas internacionais que poderiam chegar para este dia, são mais ou menos famosas e tem público no Brasil…hum, Helloween poderia ser, uma vez que os caras acabaram de lançar um álbum e estariam em turnê com certeza. Bandas de Metalcore como Suicide Silence, Bullet for My Valentine e Heaven Shall Burn também não devem ser muito difíceis de escalar para um festival como esse, e todas elas pertencem a um estilo que vem crescendo muito nos Eua e na Europa. Arch Enemy e Testament são também duas bandas que poderiam muito bem exercer a função de co-headliners internacionais do dia, e são bandas que não costumam vir muito para cá. São todas soluções possíveis, e dinheiro não seria um problema.

Só o que não é necessário é colocarem um Lobão da vida em um dia de Heavy Metal. Nada tenho contra Lobão, mas colocá-lo entre os shows de Megadeth e Sepultura, diante de uma plateia que não é exatamente reconhecida por seu respeito a outros ritmos….deu no que deu. Além, claro, do exemplo de Carlinhos Brown no dia de Pato Fu, Oasis e Guns ‘n Roses. Enfim, espero que tudo fique bem. Mas estarei lá, provavelmente. Independente do cast.

KILL’ EM ALL!

 

Pelo fim da segregação econômica em shows.

Zack De La Rocha, vocalista do Rage Against, em ação no palco: Show marcado por invasão da pista Vip

 

Para alguns, pode ter sido apenas uma confusão inoportuna para o maior festival de música realizado no Brasil nos últimos 9 anos. Uma baderna causada por fãs inconsequentes que, impulsionados pelo som pulsante de uma banda contestadora e polêmica como o Rage Against The Machine, resolveram invadir o espaço da pista vip do palco principal do evento realizado em Itu, interior de São Paulo. Saibam, pois, que pode significar muito mais do que somente isso.

Zack de La Rocha, vocalista do Rage Against, já havia declarado que era contra a existência e utilização das famigeradas pistas premiums e vips da vida. Apesar de ter conseguido retirar a área em outro show, a organização do festival manteve a utilização da pista vip. Bem, os fãs entenderam o recado e, em uma atitude surpreendente, corajosa, porém muito arriscada, saíram da pista normal e invadiram o espaço da pista dos privilegiados endinheirados. A tensão ficou evidente, e o show teve de ser interrompido, com Zack pedindo para a galera se acalmar. A transmissão do Multishow também foi cortada, o que é no mínimo curioso e um sinal de como os verdadeiros problemas são sempre maquiados, a fim de manter a “perfeição” do espetáculo.

Como se os ingressos já não fossem caros o suficiente, ainda querem premiar aqueles que possuem maior poder econômico, na maior parte das vezes em detrimento do fã mais fiel, que chega com muitas horas de antecedência ao local do show, para conseguir um bom lugar perto do palco. Ninguém pensa no sacrifício dos fãs, só em aumentar os preços e garantir o retorno financeiro independente da lotação ou não do show, um problema que, exceto por alguns casos fortuitos, atinge vários estabelecimentos pelo Brasil afora.

Outras medidas também são imprescindíveis para que esse problema se resolva. Número 1:  Por favor, organizadores e produtores, deixem o diabo da ganância de lado e cobrem preços menos estapafúrdios do que os vistos ultimamente em vários shows no Brasil. 500 reais em um ingresso para assistir qualquer coisa é um tremendo absurdo. Não é humanamente possível que um festival como o Monsters of Rock, que contava com diversas bandas de renome internacional durante a década de 90, possuísse o singelo preço de 30 reais e que apenas 12 anos depois o preço tenha subido tanto.

Número 2: a farra da meia entrada precisa definitivamente acabar.  Quemse utiliza das cotas específicas e paga meia entrada, muitas vezes só possuindo a carteira para usufruir desse benefício, de certa forma obriga os produtores a cobrar o dobro para os ingressos restantes. A altíssima carga tributária do Brasil com certeza também contribui para esse quadro alarmante. Número 3: É necessário desmantelar, claro, as verdadeiras máfias que são essas distribuições de ingressos em várias casas de show ao redor do país, com os donos ganhando uma em cima dos lucros dos cambistas com os quais estão coadunados.

Eu não sou uma pessoa que gosta de ficar muito perto do palco em shows. Prefiro ficar em algum lugar mais tranquilo, onde possa de preferência respirar e me locomover confortavelmente, podendo assim curtir muito mais o show. Mas se eu realmente quisesse fazê-lo, não gostaria nem um pouco que alguém ocupasse um espaço mais perto do palco simplesmente por ter mais condições do que eu de pagar o absurdo ingresso da pista premium. É ultrajante pensar nisso, e o que o Rage Against fez foi simplesmente dar um passo além nessa discussão, que envolve injustiça, ganância e conformismo de muitos fãs e frequentadores de shows nesse país. Já é um começo.