Linha tênue no Fluminense
Frederico Chaves Guedes, 27 anos de idade, foi visto com um amigo em um bar em Ipanema na última terça-feira. Era seu dia de folga. Na mesa, 60 caipisaquês, segundo as informações que estão na boca do povo. Após ter sido visto no local por pessoas que acreditam no seu trabalho como palhaço de circo, foi imediatamente repreendido e levado para casa. Dois dias depois, em mais um compromisso no qual sua presença era indispensável, Frederico disse que não tinha condições psicológicas para estar presente e pediu para os donos do picadeiro deixarem-no descansar, ao invés de cumprir o seu dever e fazer o show continuar. Esses, então, atenderam o seu pedido.
Em primeiro lugar, vamos deixar claro uma coisa: Não sou e nunca fui fã de certa modalidade do jornalismo em que uns e outros ficam cagando regra a respeito de onde, o quê e com quem o jogador faz quando está fora dos gramados. Levando em conta a frase em negrito no primeiro parágrafo, reproduzo aqui um clichê que considero verdadeiro: se não estiver comprometendo o desempenho do jogador em campo, este pode protagonizar as esbórnias que quiser. Se para cada gol em campo houver uma dose de caipisaquê, que assim seja. Qualquer um está livre para fazer o que quiser do seu tempo livre, longe da patrulha. A única coisa pedida é bom senso e discrição: O primeiro para saber quando se pode ou não dar uma saída pela cidade; a segunda para evitar maiores repercussões, que os jogadores sabem muito bem que serão negativas(e os jornalistas também).
Mas…..jogador profissional dizer que se sente ameaçado e não se sente em “condições psicológicas” de jogo? Ainda mais depois de ter fugido dos torcedores no bar, segundo testemunhas? Repetindo, não tenho nada a ver com o que Fred faz na sua folga, e não sei talvez o que passa na sua vida desde então. Agora, me digam: você, se fosse jogador de futebol, teria como dar uma resposta melhor do que dentro de campo, marcando gols e ajudando sua equipe a conseguir vitórias? O que Fred protagonizou com esse episódio é um lamentável desrespeito à instituição Fluminense e aos torcedores do clube. Não os papagaios de pirata e patrulheiros que existem em todos os clubes do Rio de Janeiro, mas os que pagam ingresso e tem seus ídolos. Fred é um deles, e poderia ter tido uma melhor assessoria nessa história toda, agido diferentemente.
Já há por aí boatos de que o jogador estaria querendo forçar uma saída do clube. Com apenas 6 jogos disputados na competição, ainda seria possível uma transferência dentro do futebol doméstico. Mesmo que não seja verdade, dá margem a interpretações duvidosas. Muitas vezes, estas últimas são piores que as mentiras.
Os jogadores e o técnico Abel Braga declararam, após a vitória, que correram em campo por Fred. É perceptível a liderança no grupo tricolor exercida pelo jogador, e não duvido que seja uma liderança, na maior das vezes, positiva. Abel declarou sobre o assunto: ” Vamos preservar o nosso ídolo”. Sendo assim, o ídolo poderia ter tido uma atitude bem diferente. O exemplo usado no início do texto retratava Fred como um palhaço. Esse papel mudou de mãos após o episódio, e quem está com todo o aparato cômico, agora, é o torcedor e a diretoria do Fluminense, desrespeitados como foram por um de seus “ídolos”.
Há realmente uma linha muito tênue nessa história. Se encontra o direito de ir e vir do jogador e o respeito deste último para com a torcida e o clube. Houve erros, basicamente, de todas as partes: dos torcedores , que não tem a menor necessidade de patrulhar a vida de atletas fora de seus campos de atuação; da diretoria, em ter permitido que o jogador desfalcasse a equipe em uma partida tão importante; além, claro, do próprio Fred, que não pode ter tanto desprendimento quanto às suas responsabilidades no clube. Que aja de acordo com elas.
Até o próximo post, amigos.
Tudo que eu vejo – fragmento IV
De repente, fez-se a luz. E, ao redor dela, notas viajando entre as lacunas do espaço-tempo. Mínimas, semíninimas, uma profusão de semicolcheias em uma sinfonia terrivelmente bela, com timbres nunca ouvidos até então pelos nossos ouvidos medíocres e sem apuro. Não havia rallentandos, pianíssimos e pausas naquele lenta rapidez…..E ainda assim, todo aquele belo quadro, ouvido ao longo do infinito e erigido com as cores mais belas e formas mais inusitadas, era capaz de ser sentido em toda a sua plenitude furiosa. Era, sem sombra de dúvida, uma manifestação de perfeição.
E foi exatamente este fato que despertou Sérgio Malheiros de seu torpor. Afinal de contas, como poder presenciar aquele quase divina junção de melodia, harmonia e ritmo sem estar absolutamente fora do mundo em que vivia, se decepcionava e do qual pensava um dia poder estar livre para, enfim, reencontrar-se com sua inspiração. A felicidade derradeira, afinal. Não fazia mais muita questão de viver naquele mundo de carne e osso, limitado e sem maiores horizontes, e no fundo sabia que estava preparando o terreno para quando esse dia chegasse. Os problemas de saúde, o estresse, as drogas, foram apenas de um prelúdio para a obra de maior sucesso de sua vida nos últimos 12 anos: a morte inglória e patética em um banheiro de aeroporto.
Sérgio se moveu assustado pelas luzes que começaram a se entrelaçar entre ele e o vazio. Sim, seus olhos não haviam se enganado, pois ele conseguia vê-las se movendo sinuosamente, tomando formatos quase femininos que se olhavam languidamente, antes de se tornarem um só ponto luminoso no espaço. E seus movimentos foram ficando cada vez mais frenéticos.
Enquanto tudo isso se desenrolava, tal qual num passe de mágica, as notas foram acompanhando as luzes, e elas dançavam harmônica e harmoniosamente, em um prestíssimo arrebatador. Ele pensou que poderia estar louco e que nada do que estava acontecendo naquele momento era real.
Mas, pensou: em última instância, o que poderia ser chamado de real? E descobriu que, por agora, aquilo não importava. Tudo que precisava, e queria, era aproveitar aquele momento
Foi quando, após um longo acorde que pareceu envolver o mundo inteiro, fez-se o silêncio. E o que era branco, luminoso e sem formas definidas logo começou sua metamorfose. A solidão que começava a se avizinhar, simpaticamente, agora tinha companhia. E ela não era nada simpática.
Sim, Sérgio percebia, naquele momento, que havia algo naquela mudez, que naquele não som residia. Algo que, na escuridão pujante, se escondia. Que mentia para fazê-lo pensar que estava tudo bem e tranquilo quando obviamente não era assim. Que morria a cada instante apenas para renascer mais amedrontador no instante seguinte, em um eterno retorno. Noves fora ele não sentir o ar correndo em seus alvéolos pulmonares, ele sentia aquela presença desconhecida e ameaçadora pulsar, e sua respiração era tal qual um vento gelado, anunciando o inverno de sua alma, em tons inexoráveis de branco e cinza. O medo invadiu Sérgio de tal forma que ele jamais havia experimentado antes, em vida. Agora, que não possuía uma vida para perder, é que o medo mostrava sua face mais destruidora e cruel.
Seus passos se dirigiram para trás, em direção à escuridão. Para onde ele ia? Não se sabia. Tudo era incerto.
Tudo que eu vejo – fragmento III
III
Redação do jornal Diário do Rio, na rua Santa Maria, 147. Localizada na divisa entre o Estácio e a Praça Onze, é uma parte da cidade com características bem peculiares. A rua que abriga a redação segue em frente, ultrapassando um quilômetro de extensão e passando por diversos pontos quase até o Sambódromo da cidade. Os caminhos que saem dela podem tanto levá-lo à zona Norte quanto à zona Sul, e tudo depende da direção a se tomar. Em dias de sol(e como eles são comuns no verão carioca), o calor descomunalmente intenso assola todos os que se encaminham, a passos largos, rumo ao imponente(?) prédio. Em dias de chuva, a rua costuma alagar em um piscar de olhos, dificultando a saída de todos os infelizes presos naquela jaula de perversidade que era a redação do Diário.
Tá bom, estou só pintando quadros com linhas exageradas. A maioria das pessoas que trabalhava ali tinha alguma decência, e não pretendia passar por cima de ninguém para conseguir os seus objetivos. Mas era grande a cambada de puxa-sacos, malditos jornalistas medíocres que precisavam afagar o ego dos chefes para conseguirem algum respeito lá dentro. E esse era um dos aspectos com os quais Guilherme Marques não se identificava dentro da profissão. Ou pelo menos, não ultimamente.
( Ao leitor, uma declaração importante: não há seres unidimensionais nesses escritos. Tal qual na vida, não há pessoas que sejam minimamente próximas de chegar a pensar na possibilidade de perfeição. Nem heróis e nem vilões, em seus maniqueísmos incoerentes. O que vocês verão aqui são apenas pessoas.Em suas atitudes majestosas e em suas mais animalescas decadências… pessoas. Dito isso…)
Guilherme não era um cara especialmente marcante. Pelo menos não à primeira vista. Ainda tentando emagrecer mais e ficar em forma depois do término com a namorada, seus óculos meio tortos, meio inexpressivos, impediam que algumas pessoas soubessem que ele tinha olhos verdes, por exemplo. O cabelo baixo lembrava um corte militar, carreira que ele jamais imaginaria pensar em seguir. As calças jeans, surradas pelos meses de uso, praticamente eram sua segunda pele. Ou melhor, a primeira. Suas camisas, básicas até demais, acabavam por dar um toque extra de não-charme à sua presença na maioria das vezes. Mas independente de todos esses fatos, Guilherme era um cara querido: fosse pelos amigos, fosse pela família e até a maioria dos colegas de trabalho que, à sua maneira, demonstravam por ele seu apreço e amizade. Mas….
Ali, Guilherme se sentia preso. Com poucas possibilidades de crescimento profissional. Queria poder partir para novas veredas dentro do jornalismo, dentro do rádio( uma de suas recentes paixões) ou mesmo na literatura, por que não? Até mesmo tentar novas pautas, diferente do factual engessado e condicionado do dia a dia de uma redação. Não por acaso todas as últimas tentativas de falar com editores sobre novos direcionamentos para as matérias de cada dia haviam falhado miseravelmente. Guilherme encontrava-se, atualmente, redigindo notas policiais que ele costumava copiar de outros sites. Função até certo ponto importante, mas com nenhum resquício de brilho ou talento necessários. Brilho e talento que ele, antes de tudo, precisava saber se possuía. Em seguida, fosse o caso, exercitar esses nobres nomes que em poucos momentos, na história do ser humano , estiveram realmente amalgamados. *Reparem a pretensão do narrador
Havia ainda o momento pelo qual Guilherme estava passando. Seu término de namoro havia sido levemente conturbado. Desculpas, insatisfações, o doloroso clichê: “ Não é você, sou eu”….tudo aquilo estava presente no pacote, e estava sendo difícil, ele pensava, passar por tudo aquilo incólume. Um amor, para passar, muito se demora. E, às vezes, ele nunca vai embora. Quem sabe poderia surgir alguma garota nova…quem sabe não.
A vida seguiria seu curso, mas para onde?
Para trás, quando da tentativa dele, Guilherme, de sair pelas noites bebendo e conhecendo garotas que nada acrescentariam em sua vida, se tornando apenas uma memória obscura da noite anterior da qual, por vezes, você não faz a menor questão de lembrar? E trabalhar em tais condições, físicas e espirituais? Como prosseguir?
Para frente, em busca de sucesso, fama e fortuna que poderiam não vir nunca? Tentar caminhos obscuros, pelos quais não se sabia onde poderia terminar? O desconhecido a espreitá-lo a cada negação, a cada surpresa desagradável?
(percebe-se a pouca vocação deste rapaz para o otimismo)
E mesmo aos lados, em que estagnaria no mesmo ponto, mudando apenas o sentido do seu caminhar. Perambular de um jornal para o o outro, talvez para alguma assessoria, nunca poder utilizar seus possíveis talentos para a escrita da maneira mais apropriada.
Seus devaneios foram interrompidos pela voz comicamente fina do editor do jornal:
- Gui, eu preciso de você lá no Copa D’or.
- Que que tá pegando, Marcelo?
- Ah, nada, é só porque teve aquele escritor….que escreveu aquele livro, “ Canção de Lótus”…me esqueci o nome dele…
- Sérgio alguma coisa? .
- Sérgio Malheiros, isso! Bem, ele teve um derrame no aeroporto e foi pro hospital. Todos os sites estão dando isso, e o jornal não pode ficar sem dar. Ainda tá cedo, manda por telefone algumas informações que eu peço pra alguém bater a nota pra você. Vai lá, já tem o carro te esperando.
- Quer que eu leve um fotógrafo?
- Não, isso ai é coisa pequena. Ele já foi muito famoso, mas tá na merda há um tempo. Amanhã, chega um pouquinho mais cedo pra escrever o obituário dele. Vamos ver em qual dia da semana esse desgraçado, morre, hein?
Vendo que Guilherme não rira de sua demonstração de humor mórbida, Marcelo prosseguiu:
- Bem, é isso ai. Se cuida lá e liga pra cá se der alguma merda. Tu sabe o ramal,né?
- Uhum.
- Tranquilo então, vai na fé.
Ao ouvir a última palavra ser proferida, Guilherme já ia desligando o seu computador preto e se levantava de sua cadeira, que ele já sabia que não seria a mesma do dia seguinte, assim como não fora a mesma do dia anterior. Ladrão de cadeira era o segundo ofício dos jornalistas ali presentes.
Foi saindo da redação, rumo à noite carioca. A gráfica do jornal, que era anexa à redação, oferecia uma trilha sonora apropriada para aquele momento: toneladas de papel sendo inseridas nas máquinas que processavam e davam forma ao jornal, com editoriais, calhais, anúncios, matérias, coordenadas,infográficos…histórias a ser contadas e supostos interesses da sociedade escancarados naquelas páginas.
Nem pensou que sairia de lá depois de algum tempo sem ir à rua, que sairia daquela rotina maçante da redação, de computadores com defeito, programas de edição que não funcionam, uma cantina com péssimo cardápio, enfim… Afinal de contas, ele tinha a absoluta certeza de que nada iria mudar.
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O táxi já estava ali, à sua espera. Rapidamente abriu a porta do veículo -amarelo à sua frente e sentou-se na parte de trás.
- Já preencheu o Voucher,amigo? – perguntou o taxista.
- Tá aqui, irmão. Vamos lá pro Copa D’or, por favor.
Assim que o táxi começou a se mover , ele trocou a música que estava ouvindo em seu ipod. Se até então ele estava viajando nas duas guitarras ondulantes do Wishbone Ash, agora toda a sua atenção se prendia a alguns acordes tocados no violão e também ao piano. Aquela melodia melancólica, praticamente a angústia em curvas acústicas, não lhe deixava dúvidas: estava ouvindo Savatage. O carro acabara de passar pela portão de ferro automático, para longe da Rua Santa Maria, e Guilherme ouvia Jon Oliva começar a declamar a letra. Era um vislumbre de esperança para quem, como ele, tinha no pessimismo um amigo fiel e a derrota como um fim inexorável. Principalmente nos momentos de desequilíbrio em sua vida, como ocorria então.
“ Não há vida tão curta que não haja reviravoltas
Não podes passar a vida vivendo abaixo da terra
Longe, lá de cima, não se ouve um som”
Os violões tomavam novamente a dianteira da canção. Dessa vez, havia um som mais alegre, uma possível chance de levantar-se, a fim de mandar às favas as dificuldades e se recompôr para um novo dia.
“ E estou aqui fora, esperando
Eu não entendo o que você quer que eu seja
É o escuro que você está odiando,
Não é quem eu sou, mas você sabe
Que é tudo o que você vê”
Volta ao fundo a melodia inicial. Mal percebe Guilherme que o taxista já estava atravessando o túnel Rebouças. Ele fatalmente faria o caminho mais longo até o Copa’Dor. Mas dane-se, pensou Guilherme, se quem iria pagar por aquilo era o jornal mesmo. Voltou suas atenções para o que estava passando pelos seus ouvidos adentro, chegando ao seu registro cerebral. E falava ao coração.
“ Não há vida tão curta que nada se aprenda
Não há chama tão pequena que nunca se esvaia
Não há página tão certa que jamais se vire”
Após o refrão, as cordas de um violão se insinuam a criar notas solitárias no ar, como se fossem uma voz a mais para a música. Guilherme agora se recorda porque sempre ouvia esta música quando estava no fundo do poço. Já se sentia incrivelmente melhor, disposto a esquecer tudo o que lhe afligia, ou pelo menos armazenar esse vasto material emocional em um canto seguro de sua mente, para que pudesse desempenhar ao máximo suas capacidades. Assim como dizia a letra,“ Enquanto um milhão de vidas vem e vão, passam por esta mesma nesga de chão”. Ele não queria ser apenas mais um número, mais um zero. Não queria passar despercebido em sua trajetória pré-tumba. Fosse entre os colegas de profissão, fosse com os amores vindouros de sua vida.
E queria aproveitar esta última, por sua vez, ao máximo. Afinal, nada mais ela era do que uma colagem de momentos como aquele, tristezas e alegrias num piscar de olhos, em um par de acordes. A música, a dança….Tudo estava inserido naquele momento, e em tantos outros que já haviam passado. Assim como em tudo o que estaria por vir. Se seu destino estava definido ou não, nunca importou muito a Guilherme. A incerteza era sua guia, lhe norteava como um viajante e sua bússola. A partir dali, não queria ter mais medo de tentar. Acima de tudo, queria arriscar.
Chegara ao seu destino. Após algo que lhe pareceu um tempo de 20 minutos mais ou menos, estava na frente do Copa D’or. Entregou o papel do Voucher ao taxista e saiu do carro com sua mochila nas costas. Havia agora uma missão a ser cumprida. A música que ouvira no carro lhe dera um novo ânimo para alcançar suas metas. A partir dali, prometeu Guilherme a si mesmo, tinha início uma nova etapa. Viver era uma jornada incerta, e ali era apenas mais um desdobramento da estrada a ser percorrida.
Versos à lua
O que fazes aqui preenchendo-nos o céu?
Tuas luzes se vão longe, teus caprichos vão ao léu
Ó lua, das melodias tu és minha voz
Dos amores a nascente, das tristezas é minha foz.
Mostra-te a mim, ó lua.
Libertadores do futebol brasileiro
O título do Santos na Libertadores, conquistado após a vitória de ontem sobre o Peñarol, é o terceiro na história da competição sul-americana. Merece uma comemoração muito intensa, até porque o último elenco do Santos que conseguiu esse feito( e logo em um bicampeonato) foi o de Pelé, Dorval, Mengálvio, Pepe, Coutinho, Zito…aquele time que alguns dizem que não aguentaria o futebol de hoje.
No entanto, o título tem outros dois aspectos interessantes a ser discutidos aqui: um micro, relativo ao Santos Futebol Clube; e um Macro, referente ao futuro do futebol brasileiro.
Para a história do Santos, ficou claro de uma vez por todas: a geração atual de Paulo Henrique Ganso e Neymar já está acima, tecnicamente e em matéria de conquistas, em relação à geração de Robinho e Diego, a última a surgir na Baixada santista e encantar o Brasil por três anos seguidos, entre 2002 e 2004. Robinho e Diego, mesmo tendo tido excelentes performances no alvinegro praiano, não conseguiram ter uma regularidade em excelência em seus times na Europa. Robinho só conseguiu ter algum destaque em sua última temporada pelo Milan, no qual foi campeão italiano. Os erros de ambos podem servir para que Neymar e Ganso consigam vislumbrar o caminho mais correto para suas respectivas carreiras.
Aliás, um parênteses no texto para comparar as escalações do Santos de 2002 e de 2011.
Santos: Fábio Costa; Maurinho, André Luís, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). Técnico: Émerson Leão.(2002- Final do Brasileiro)
Santos: Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Muricy Ramalho
Fica a cargo dos leitores dizer: quem é melhor? E porque esse time de 2011 conseguiu a Libertadores que o time de Emerson Leão viu escapar em 2003, contra o Boca Juniors?
Neymar, aliás, merece um parágrafo à parte. Por mais que eu tivesse resistido a chamá-lo de craque durante algum tempo, por achar que ele não tinha muita maturidade para lidar com a responsabilidade de ser o “cara” que decide os jogos, não dá para falar algo diferente sobre o jogador hoje. Cracaço de bola. E que provou mais uma vez ser decisivo ontem, abrindo o placar de uma partida complicada, cascuda, enfim, uma final de Libertadores típica. Fatalmente será um dos melhores do mundo se continuar nesse ritmo. O Santos PRECISA mantê-lo se quiser chegar ao Japão com chances de enfrentar e, quem sabe, derrotar o time do Barcelona.
Analisando em um macrocosmo, esse título do Santos comandado por Ganso e Neymar revela, pelo menos no quadro atual, o erro cometido pela revista 4-4-2 em dizer que o futebol brasileiro está morto(leia aqui). Mas há exceções, como os dois supracitados. Lucas, do São Paulo, também promete um futebol muito além da média.
Esse título da Libertadores mostra que o futebol brasileiro, mesmo vivendo uma entressafra de grandes talentos, ainda é capaz de produzir craques e, principalmente, formar times vitoriosos.
Ninguém sabe qual será o futuro dessa Copa, ao menos dentro de campo, uma vez que fora dele a bagunça é institucionalizada e pouco é feito para que isso mude. Mano Menezes deverá ter muita sabedoria para aproveitar o melhor dos talentos que possam surgir durante esse período pré-2014 e, quem sabe, montar um time capaz de vencer a Copa do Mundo em sua própria casa, mesmo com toda a pressão envolvida com essa responsabilidade.
Sem título
Sou o mesmo que conheceste outrora
N’alvorada de um amor florescente;
Serei agora como a luz do sol nascente
Ou face implacável de sombria aurora?
Cada dia é um regime de urgência,
Contínuo apagar para reconstruir;
Guiado por cautelosa inconsequência
Para que a vida possa assim seguir.
Sábia é nossa fraqueza;
Entre o inferno e o firmamento
Tudo que resta é viver
O que me guia é a incerteza;
Ensinamentos a cada momento,
O aprender sem se arrepender.
Behind The Painted Smile
This is the Voice Of Fate, with the latest news. Have a good evening.
England Triumphs.
1997
Guy Fawke’s is back on track
Blood flowing through his heart, his eyes are filled with black
From Shadows Gallery, Anarchy shall arise
Overcoming boundaries, Leadership shall be demised
Room number Five
The origin of terror, there is no place to hide
Right from the darkness, comes the Voice of Fate
Full of prejudice and mothafuckin Hate
Remember, Remember, The Fifth Of November
In the blade of the sword remains the final word
No room for sinners
In this vicious cabaret
Yides,queers or blacks, no matter what you say
Behind the painted smile, no anger,pain or fright
For now we celebrate, enjoy Bonfire Night
Norsefire rules all over this land,
Right within their veins, the only thing is sand
Strings of Power attached to everyone
Through hands of puppets, all evil shall be done
Remember, Remember, The Fifth Of November
In the blade of the sword remains the final word
No room for sinners
In this vicious cabaret
Yides,queers or blacks, no matter what you say
Behind the painted smile, no anger,pain or fright
For now we celebrate, enjoy Bonfire Night
Tudo que eu vejo
II
Mas Sérgio esqueceu de tudo aquilo que enchia sua cabeça. Mais do que tudo, naquele momento, ele queria achar um banheiro. A viagem desde Belém, para onde fora ver uma parente doente, fora longa. Os remédios, os diversos copos d’água, o calor reinante…tudo direcionava para um único destino solitário por aquela porta adentro.
Após o processo estar completo, o sabão, a água nas mãos, a porta. Na teoria, parece tremendamente simples. No entanto, havia no ar uma nítida sensação macabra. Algo indicava que o desconhecido que nos aguarda a cada abrir de porta não era lá dos mais agradáveis para Sérgio. Seus neurônios começavam a sufocar, pedir por oxigênio, procurar uma saída.
A escuridão, no entanto, era mais espessa. O breu em seus olhos era implacável, não dando espaços para um único vislumbre de luz.
De repente, outra cor passou a se insinuar na superfície trevosa do espelho. Os contornos de Sérgio, em um tom de rubro muito vivo, começaram a se distinguir dentro daquele quadro de horror.
A face no espelho era a representação do que havia de mais diabólico. Nada de exageros, risos maléficos ou mesmo uma expressão sombria e opaca: Os olhos recheados de sadismo, as maçãs da face levemente alteradas, sorrindo com a satisfação de um torturador em vista do sofrimento alheio. E mais aterrador do que qualquer coisa, a tranquilidade de quem tem a inexorabilidade da morte ao seu lado, como um elemento a ser usado a seu bel prazer.
“ Acorde” disse a imagem no espelho para Sérgio, que poderia ficar assustado facilmente e sair correndo daquela sala infernal naquele mesmo instante. A serenidade no olhar daquele ser que ainda era capaz de ver deixou-o totalmente hipnotizado. Lembrou-se das vezes anteriores, das pias quebradas, dos sustos repentinos no meio da rua. Enquanto ninguém se aproximava dele, o homem no espelho aparecia nos seus momentos de loucura. Aliás, nas horas em que esta última ultrapassava as barreiras interiores do tolher social e mental. Era como um companheiro. Mudo, aterrador, perturbador o suficiente para perturbar-lhe o sono. Mas um companheiro, afinal.
Com o passar do tempo, a expressão naquele rosto parecia estar cada vez mais contentada com seu sofrimento. Dez dias atrás, ela finalmente parecera rir, com a plenitude de quem sabia distinguir a realidade. E, naquela noite, dia 16 de janeiro de 2010, Sérgio chegou a uma conclusão tola, quase óbvia: “ Este é meu único amigo. E nesta noite ele sorri novamente”. E foram palavras ditas por Sérgio Malheiros da Costa Oliva, vindo ao mundo a 22 de julho de 1960, divorciado, sem filhos, sem pai, mãe, irmão e amigos, a epítome da decadência humana, tal qual sua trajetória antes de chegar ao chão frio, consciente apenas da própria inconsciência.


